quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Versões de Homem-Aranha no cinema




Publicado originalmente na REDE SOCIAL PROPOST


                 

Já li muita coisa desse rapaz chamado Peter Parker, então acho que eu precisava fazer esse post mesmo que já tenha um tempinho que o filme tenha saído em cartaz... Então vamos lá. 


Sou um cara que quando gosta muito de um filme, revê esse filme algumas vezes na mesma semana, às vezes até no mesmo dia. Pro bem, pro mau, perda de tempo ou não, essa é uma característica minha. Pra citar alguns filmes que cheguei a ver mais de uma vez no mesmo dia: os 12 macacos, de volta para o futuro, o balconista, dentre outros. 

Eu precisava fazer esse teste com o filme “O espetacular Homem-aranha” de Marc Webb, por isso acabei vendo o filme novamente depois de alguns dias. Resultado disso foi que fiquei meio entediado. Já estava torcendo pelo fim do filme logo quando ele tava na metade. Sinal que pelo menos para mim há algo errado no filme. O mesmo não aconteceu quando vi a versão de Sam Raimi de 2002, que inclusive me lembro de ter assistido pelo menos umas três vezes no mesmo mês.

Tinha pensado em fazer um post comparando ambas as versões para tentar eleger o melhor em determinada categoria, mas decidi que vou me focar apenas em fazer alguns comentários gerais pois ambos tem seus pontos positivos e negativos e não estou disposto a desmerecer nenhum dos filmes. Já tem muita gente fazendo isso por aí.
1. Personalidade de Peter Parker 


Eu gostava muito da versão de Peter Parker feita por Tobey Maguire, no entanto se formos comparar com os quadrinhos, temos um Peter muito diferente. O Peter dos quadrinhos é um nerd que sofre Bully, mas quando se torna HA fica mais esperto, sempre tentando responder as encarnações a altura, embora nunca apele para força física. O Peter de Maguire é bobo sempre, tanto antes quanto depois de adquirir os poderes. Tenho duvidas se é a culpa é do diretor ou se do próprio ator que tem como característica própria ser sem graça. Assisti por exemplo o filme “Entre irmão” onde Tobey Maguire vive praticamente o mesmo personagem, com a diferença de que agora é militar(mas justiça seja feita na cena final desse filme ele dá uma forra na atuação).   

Quanto ao novo Peter, por Andrew Garfield, posso dizer que também é bem diferente do Peter original.  Este Peter é mais descolado, sem aparência de nerd e anda de skate. É também bem mais corajoso mesmo sem os poderes de aranha, chegando a defender alunos mais fracos que ele na escola. Como Homem-Aranha ele me pareceu excelente. As cenas de luta contra seus oponentes lembrou muito as tiradas do aranha do quadrinho, que adora tirar sarro de seus oponentes. Destaque para a cena que o Aranha simula ter medo da faca de um ladrão de carros.
2.  Gwen Stacy VS. Mary Jane   

O que falar dos romances de Peter? Bem, nos quadrinhos a ordem é a seguinte: Betty Brant, Gwen Stacy, Mary Jane. Betty aparece nos filmes de Sam Raimi, mas como figurante ( pra quem não lembra, ela é a secretária de J.J).Quanto a Mary Jane, nos primeiros anos dos quadrinhos, ela não passa de uma personagem fútil e superficial. Suas únicas preocupações são festas e carros. Somente com a morte de Gwen, Mary Jane começa a mudar como personagem, adotando uma personalidade mais madura e interessante.

 
Gwen Stacy, sempre foi uma personagem mais interessante e querida pelo público que sempre torcia para que os dois ficassem juntos. Sua morte em 1973 nas mãos do Duende Verde causou revolta na grande maioria dos leitores, mas foi um marco nas historias dos quadrinhos, pois nunca antes um personagem querido havia sido dado como morto.Ok, E no filme? A Mary Jane do filme é bem semelhante com a Mary Jane dos quadrinhos na era pré-morte de Gwen Stacy. Nisso Sam Raimi acertou, de fato. O problema é que ao longo dos 3 filmes a personagem pouco evoluiu. Em Homem-aranha 1 era uma personagem confusa, que sempre engatava relacionamentos fracassados. Em Homem-aranha 2 continuou boboca, chegando a noivar com um cara que nem gostava(filho do J.J). No Homem-aranha 3 foi mais idiota possível, naquelas ceninhas de inveja devido a popularidade de Peter como Homem-Aranha. Sam Raimi realmente vacilou na evolução da maturidade da personagem.Já a Gwen Stacy recriada por Marc Webb é uma personagem bem mais envolvente, assim como a dos quadrinhos. O diretor consegue recriar no publico aquela torcida para o relacionamento dos dois dar certo. Me pergunto se a intenção do diretor é justamente essa.. causar uma simpatia com o público para depois matá-la nos próximos filmes. 3- Efeitos especiais 

Aqui temos um conflito de tecnologias. Quando o primeiro filme saiu, em 2002, os recursos gráficos eram bem mais limitados, então não podemos desmerecer o filme antigo por causa disso. No novo filme, os movimentos são muito mais reais quando Peter está saltando entre teias e prédios, tirando aquela impressão de que as teias são lançadas para o nada, do filme de Raimi.

4- Os Vilões   

Sam Raimi destruiu em nível de profundidade dos vilões. Todos são muito bem construídos, até melhores construídos que o próprio Peter Parker. Doc Octopus é o grande destaque da franquia.Outro que merece destaque é o Homem-areia. Nunca imaginei que ele pudesse ser tão humanizado, fugindo daquele vilão bobo que tínhamos nos quadrinhos. Venon e o novo Duende (Harry Osborn) foram grandes falhas, mas não tanto por culpa de Sam Raimi, mas dos próprios produtores que exigiram a entrada de Venon no filme, algo que Sam Raimi não queria.
Quanto ao Lagarto no filme de Marc Webb, senti que faltou alguma coisa.
5-  Origem dos poderes de aranha   

Sam Raimi recriou uma origem não exatamente igual a dos quadrinhos, mas muito coerente e interessante.  Tanto a origem, quanto a cena da luta livre e a morte de tio Ben são perfeitas e, pra mim são as versões definitivas desses fatos. Marc Webb criou uma origem muito confusa. Temos agora inserção dos pais de Peter na trama e uma origem bem estranha: Peter entra em uma sala da Oscorp cheia de aranhas, sendo depois picado. Tinha tanta aranha ali que é difícil imaginar que nenhum outro acidente tivesse surgido anteriormente. A quantidade de aranha ali daria pra fazer surgir pelo menos mais uns 500 Homens-aranhas por Nova Iorque. É provável que no filme seguinte o diretor tente contornar este erro inventando alguma história absurda que as pesquisas com aranhas eram compatíveis apenas com o DNA de Peter(algo como foi feito no primeiro filme do Hulk). Eu não duvido disso.

6. Tio Ben e Tia May
A história de Tio Ben é muito peculiar no mundo dos quadrinhos. Trata-se de um personagem que tem apenas 2 ou 3 folhas de vida, mas que deixou sua marca na historia devido a frase"grandes poderes trazem grandes responsabilidades". Frase que embora tenha sido colocada por Sam Raimi como de autoria de Tio Ben, é originalmente uma reflexão do próprio Peter Parker após a morte de seu tio. Gostei das retratações de Tio Ben, em ambas as franquias, mas tenho um carinho mais especial pelo Ben do filme do Sam Raimi. O velho me fez lagrimar nas poucas cenas que apareceu.
Já Tia May, é uma personagem frágil e ingenua nos quadrinhos, que chega até a dar raiva em muitos momentos. Sam Raimi a colocou com um papel bem mais marcante, uma espécie de conselheira do Aranha, semelhante ao Alfred em Batman. Marc Webb por sua vez, praticamente a retratou como uma figurante. Pouco vemos tia May em cena e quando aparece os diálogos são bem curtos.

7. Flash Thompson 


E pra finalizar vou falar sobre o eterno Bully de Peter Parker. O Flash das HQs tinha uma relação de "bully-brother" com Peter Parker. Ora eles se alfinetavam e ora conseguiam ficar perto um do outro de forma civilizada. Sam Raimi ignorou totalmente esse personagem, o colocando como apenas um figurante filha-da-puta que apareceria nos 10 primeiros minutos de filme. Marc Webb deu mais importância ao personagem , inclusive resgatando aquela ideia das HQs, de Flash ser o maior fã do Homem-Aranha. 
Agora uma coisa é certa , aquela cena da luta entre Flash e Peter nos corredores da escola, no primeiro fime de Sam Raimi, é inesquecível. 

Bem, esses foram os pontos que eu me lembrei de comentar. Se quiser fazer mais alguma comparação, fique a vontade.

Indicação de filme: Fuga de Alcatraz



Texto publicado origalmente na REDE SOCIAL PROPOST


Filme:  Fuga de Alcatraz  (Escape From Alcatraz) - 1979
Diretor: Don SiegelRoteiro: Baseado no livro de J. Campbell Bruce 
Estrelando: Clint EastwoodPatrick McGoohan,  Roberts Blossom  (Clique aqui se quiser ver o elenco completo)
Obs: O título do texto em ingles("Prison Movies") não é frescura, foi apenas uma forma de conseguir escrever o titulo dentro do limite de caracteres. 


Falarei agora de um filme que faz parte de um "gênero" que me agrada muito, são os filmes sobre prisões e condenações. Você provavelmente já deve ter assistido alguns que seguem essa linha. Só pra citar  os mais famosos, temos " Um Sonho de Liberdade" , " À Espera de Um Milagre  " e "A Vida de David Gale ". Outros, embora menos conhecido do grande publico também merecem destaque, tais como "O Expresso da Meia-Noite " e " O Homem de Alcatraz ". Esse será meu primeiro post sobre filmes que seguem essa linha, é provável que venha mais coisa por aí.

Bem , vamos lá. Avisando que o texto está cheio de SPOILERS

Como o próprio nome já diz, o filme se passa no presido de Alcatraz, onde ocorre uma fuga, então só preciso falar de duas coisas aqui: sobre a prisão e sobre o fugitivo.

Primeiramente sobre Alcatraz....

Alcatraz é uma ilha localizada na Baía de São Francisco (Estado da California/EUA). Nesta ilha localizava-se um presidio de segurança máxima que entrou em funcionamento na década de 30. A prisão de Alcatraz era um pouco diferentes dos presídios comuns norte-americanos, era como o The Boss das prisões, suas normas eram muito mais rígidas. Em uma das cenas do filme, o diretor do presídio resume bem o significado dessa prisão: 

“Quem desobedece as leis da sociedade vai para a cadeia. Quem desobedece as leis da cadeia vem para Alcatraz”

Em Alcatraz, cada preso tinha uma cela particular, estratégia utilizada para evitar a criação de vinculos entre os presos e consequentemente evitar a elaboração de planos de fuga.  A marcação em cima dos detentos era cerrada, havendo cerca de um vigia para cada três presos (a media das prisões comuns era de um vigia para cada sete presos). A prisão era puro concreto ,sendo impossível cavar túneis (devido tal característica, Alcatraz ficou conhecida como “A Rocha”). Sem contar que a prisão estava localizada em uma ilha, com uma distancia de cerca de 1,5 km da terra firme. Como se não bastasse, a água ao redor da ilha era geladíssima   e havia uma forte correnteza que mataria na certa qualquer um que tentasse fazer essa travessia a nado. Era também impossível os guardas darem falta de um detendo, pois haviam 12 contagens diárias. 


(Ambiente interno de Alcatraz. Uma minúscula cela para cada detento)

Como você pode notar, aparentemente era impossível fugir de Alcatraz, ninguém havia conseguido até o momento , mas Frank Morris foi o homem que mudou essa realidade. Vamos falar um pouco desse sujeito então...

         
        (FOTOS originais)

(Frank Morris é interpretado por Clint Eastwood. Na foto, Frank conversa com English, que era considerado o detendo mais inteligente de Alcatraz. Como uma forma de status, os presos mais importantes tinham direito de sentar nos degraus mais altos do patio do presídio. Nesta cena, ambos conversam sobre a impossibilidade de se fugir da ilha. No filme há outros personagens interessantes, mas vou deixar pra você conhecer assistindo)    

O filme é baseado em fatos reais, ou seja, Frank Morris, criminoso/detendo que ficou famoso por suas fugas de presídios, realmente existiu. Devido a sua elevada capacidade de fugas, as autoridades não tiveram outra opção senão envia-lo a mais fodas de todas as prisões.
Então lá estava Frank Morris em Alcatraz, será que dessa vez iam prender o homem?
Morris não chegou pra brincadeira, logo em sua primeira conversa com o diretor já roubara um cortador de unhas que se converteria em uma eficiente ''pá" ao ser soldada a uma colher.


(Nesta cena o diretor de Alcatraz inocentemente cortando as unhas, enquanto na ficha de Frank Morris é evidenciado seu elevado Q.I) 

A fuga de Morris tem certa relevância histórica, pois foi um dos fatores que contribuíram para o fechamento do presidio em 1963 (um ano depois da fuga). Os custos para se manter Alcatraz eram muito mais altos que os dos presídios convencionais (já citei alguns desses fatores parágrafos acima), custos esses que se tornaram injustificáveis quando Alcatraz perdeu a fama de presídio das fugas impossíveis. Suas portas se fecharam pela perda de credibilidade provocado pela fuga e Frank Morris e seu bando. 

Como assim seu bando? Bem, na verdade Morris não foge sozinho de Alcatraz, ele obtem a ajuda de outros dois detentos: Os irmão John e Clarence Anglin. Cada um trabalhava em setores distintos do presidio, servindo como peças chaves para a articulação do plano. Durantes os meses de preparação para a fuga, o bando se apropriou do uso de diversos objetos que eram coletados em seus ambientes de trabalho, como por exemplo: papelão e tinta para confecção decabeças falsas; capas de chuva para confecção de botes e coletes salva-vidas, etc. Seis meses foram necessários para que os detentos conseguissem cavar uma pequena abertura através do concreto que levaria a área de ventilação.


(Frank Morris e os demais articulando a fuga durante uma refeição, momento raro de interação entre os detentos em Alcatraz)

O elemento suspense desse filme é muito bem elaborado, ele sempre consegue me provocar um sentimento de nervosismo sempre que o assisto novamente. Mesmo que já  tenha assistido esse filme várias vezes, é impressionante como fico assustado quando parece que a qualquer momento Frank Morris e seus comparsas vão ser descobertos pelos vigias. 

Não se sabe ao certo se a  fuga de Frank Morris , John e Clarence Anglin foi bem sucedida, pois a polícia jamais encontrou seus corpos. Talvez tenham morrido afogado na Baía ou quem sabe sobreviveram e terminaram a vida como Tim Robbins em "Um Sonho de Liberdade". O filme te faz torcer pela segunda opção.


Assistam. Espero que gostem e foi mal ae pelos SPOILERS. 

Batman - O cavaleiro das trevas ressurge. O que achei do filme?


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Spoilers: Sim!

Assisti hoje ao terceiro filme da trilogia do Batman do diretor Christopher Nolan. Assim que cheguei em casa li algumas criticas na Web, então vou tentar fazer comentários que não foram tocados nesses textos que li.

Não detalharei muito a sinopse desta vez, pois há diversos pontos que quero falar, portanto não quero estender mais ainda o texto. Basicamente a historia se passa  8 anos depois do antigo filme e Wayne está com o físico debilitado e aposentado como Batman, porém uma nova ameaça a Gothan o faz voltar a ativa.
Primeiramente gostaria de falar um pouco do Christopher Nolan, diretor dessa nova trilogia do Batman:

Nolan faz parte da nova safra de diretores, seu primeiro filme foi Following de 1998. Desde então tem criado filmes respeitáveis, de grande qualidade. Você provavelmente deve ter assistidoA origem (2010) , O Grande Truque (2006) ou Amnésia (2000), todos filmes muito bons. Muitos diretores cravaram na historia do cinema filmes marcantes, mas também participaram de grandes bombas (eu poderia citar vários) , porém Nolan até então, em sua curta carreira tem mantido certo nível de qualidade em todos os seus filmes.
Este ano tivemos três filmes do gênero super-heróis: Os vingadoresO Espetacular Homem-Aranha e Batman - O Cavaleiros das Trevas Ressurge.  Pelo que percebi na movimentação nos cinemas, o novo filme do Homem-Aranha não causou o mesmo alvoroço dos outros dois citados. Isso se explica por se tratar de um reinicio não muito distante da “antiga” trilogia com o diretor Sam Raimi e o ator Tobey Maguire

Há uma diferença nas abordagens entre o filme do vingadores e o do Batman. Nolan sempre colocou o espectador pra pensar um pouquinho para entender a trama. Seus filmes do Batman sempre geraram uma discussão mais profunda, algum tipo de reflexão, debates, etc. Tenho amigos, por exemplo,  como o @Michel e o @Rennan que filosofam na personalidade do Coringa até hoje. Por outro lado, o filme dos vingadores tem como única preocupação fornecer diversão desenfreada. Esqueça as reflexões e se deleite com a porradaria constante e Nova York sendo devastada pelas batalhas, enquanto quilos de pipoca estão comendo solto.Bem, entrando finalmente um pouco no filme, começarei falando do vilão Bane (Tom Hardy).
Não espere algo do nível do vilão do filme anterior. Coringa foi imbatível e acredito ser insuperável, mas isso não torna o filme ruim. Bane é legal, mas no final do filme se revela um “sub-vilão”, um “pau-mandado” , um cara que recebe ordens. Coringa por outro lado era o “Tyler Durden do mau”. O cara botava pra fuder  como 
agente do caos e era o seu próprio patrão. Eu vi muita gente revoltada reclamando que Bane não chegava aos pés do Coringa.... Se você faz parte dessa trupe só posso lhe dizer uma coisa: 
Meu filho, o primeiro filme também não tem um vilão marcante e também não deixa de ser bom.


Vale lembrar que Coringa não morreu no segundo filme, o que me faz pensar que se não fosse a morte do ator Heath Ledger, talvez ele tivesse uma participação no filme e o roteiro fosse bem diferente.  Vilões  do primeiro filme tem pontas aqui: o Espantalho (Cillian Murphy) é um Juiz dos julgamentos ilegais de Gothan e Ducard (Liam Neeson) já que está morto, reaparece nos delírios de Bruce Wayne. É uma pena que não haja nenhuma menção ao Coringa, mas com o ator morto, esse se torna um fato aceitável.
Outra coisa que percebi na internet são pessoas enumerando alguns acontecimentos questionáveis no filme, supostos erros, como o fato de ninguém na trama relacionar um ataque a uma bolsa de valores com falsas movimentações financeiras que levaram Bruce Wayne a falência. Bom, não vou entrar nessas questões, concordo com umas, discordo de outras. Se você for mais chato assista você mesmo e reclame você mesmo. Se você for  um cara mais desatento, assista e seja feliz.Quanto ao final, parece que Nolan gostou de criar finais ambíguos como aquele que fez para A Origem (Di Caprio acordou do sonho ou Não?). Aqui fica a duvida: “Bruce Wayne morreu ou não?”, “Alfred (Michael Cane) estava delirando quando viu Bruce Wayne no final do fime?”. Bem, minha interpretação é de que Bruce está vivo sim, pois Alfred não poderia imaginar ele formando um par romântico com Selina, pois durante o filme Alfred não acompanhou o relacionamento deles.Alias, sobre a menina que fez a Selina(mulher-gato), posso dizer que foi bem. Não sou de admirar atrizes pela beleza (pelo menos não antes de gostar de suas interpretações), senão seria fã da Megan Fox como 99% dos marmanjos, mas a menina Anne Hathaway alem de bonitinha, respondeu bem na atuação.
Outro destaque foi para o ator Joseph Gordon-Levitt, que tem me impressionado bastante pela sua versatilidade. Fez aquele carinha bobinho e sentimental do filme 500 dias com ela e ao mesmo tempo tem encarado filmes de ação como A Origem e Batman Ressurge. Aqui ele faz um papel semelhante ao dos policiais Matias e Neto de Tropa de elite:  "Policial honesto nadando contra a corrente". No final ele se revela o Robin, mas um Robin diferente das HQs e dos antigos filmes. Há uma diferente origem , mas Nolan mantém uma espécie de relação “tutor-aluno”  como nas versões antigas.

Pra finalizar, será que a franquia acabou? Este é o fim da saga de Nolan? Bem, o final deixa abertura para novos filmes. Bruce Wayne está fora de cena, mas a bandidagem está a solta novamente em Gothan (todos os prisioneiros foram libertados por Bane) e Robin encontra a Bat-caverna. Nolan já avisou que não fará mais nenhum filme do Batman, mas quem sabe não vem por aí um filme do Asa Noturna dando continuação de onde o filme parou? Batman gera $$$ e a bilheteria dos 3 filmes prova isso, então tudo é possível. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Lendas do Haiti e os Zumbis no cinema




Esse texto foi publicado originalmente por mim na rede social PROPOST


Como sempre gostei de misturar assuntos, vou tratar agora de um pouco sobre história do cinema no que diz respeito à origem dos filme de Zumbi e  também um pouco sobre colonização e mitologia do Haiti.

O que esses assuntos têm em comum? Você vai já vai entender...
Como vocês podem perceber os “zumbis” finalmente dominaram  o mundo, mas isso não significa que o conceito de zumbi seja algo recente. Tivemos nessa última década uma grande quantidade de filmes, quadrinhos, jogos, séries voltadas aos Zumbis, mas o que nem todo mundo sabe é que eles estão por aí a mais de um século. 

Hoje ao falar em Zumbi, imediatamente nos vem a mente a idéia de mortos-vivos com a carne apodrecida, sem qualquer raciocínio, agindo somente por seus instintos, perseguindo as pessoas em busca de carne fresca. Esse conceito foi criado no Cinema pelo cineasta  George A. Romero  , através do filme  "A Noite dos Mortos-Vivos"   de 1968, porém os Zumbis já estavam sendo usados no cinema a algum tempo, só que com outra roupagem. Essas primeiras obras tinham total influencia de lendas e crenças religiosas do Haiti.
Mas que crenças e lendas eram essas? Bem, vamos falar um pouco de historia agora... 

Nos primeiros cinquenta anos de colonização do Haiti pelos europeus, a população nativa foi praticamente dizimada por meio de força bruta e proliferação de doenças.Com essa dizimação da população nativa e a necessidade de manter a produção de cana de açúcar a todo vapor, centenas de milhares de negros foram  transportados da África para trabalhar como escravos.  Com o tempo ocorreu uma mistura cultural, com crenças africanas se misturando a crenças católicas, resultando no que hoje é conhecido no ocidente como “vodu”.

(Mapa com a localização das Ilhas do Caribe, da qual faz parte o território do Haiti)
Uma das crenças do vodu, assim como no cristianismo, é de que a alma e corpo representam entidades distintas, logo podendo ser separados. Essa separação, segundo o vodu, poderia ser provocada através de rituais.
Em meio a essa crença vodu no Haiti, começaram a surgir a lenda dos "feiticeiros oportunistas", que se utilizavam de rituais vodu com o objetivo de recrutar trabalhadores para serem usados como escravos em regiões distantes, onde não seriam reconhecidos. 

Mas segundo a lenda, de que forma os feiticeiros conseguiam recrutar esses trabalhadores? Vou explicar... 

Tal situação acontecia quando os feiticeiros charlatões criavam uma combinação de magia e poções que provocaria a “morte” da vítima. Esta passaria mal em alguns dias e depois viria a “falecer”. As lendas dizem que o feiticeiro capturava a alma de suas vitimas e reanimava seus corpos  sem alma para serem usados como escravos em diversas atividades no campo. Após usar esse método e conseguir separar o corpo da alma, o feiticeiro tinhas em suas mãos um  individuo desprovido de raciocínio que poderia ser manipulado e usado para o trabalhado escravo.
Esta crença se integrou ao senso-comum do Haiti  (uma especie de lenda do Boto, ou de lenda do saci-pererê do Caribe), fazendo com que os familiares dos recém-falecidos fizessem o possível para evitar que o corpo de seus entes queridos fossem reanimados, como por exemplo, através da construção de tumbas mais resistentes, do enterro em regiões movimentadas e até da contratação de “vigias de tumulo”, que permaneciam vigiando os corpos até o inicio de sua decomposição, quando não mais poderiam ser usados por feiticeiros. Se as medidas cabíveis não fossem tomadas, o povo acreditava que seus entes queridos poderiam levantar das tumbas como “zumbis”, termo que foi adotado pela cultura local para designar indivíduos cujo corpo havia sido separado de suas almas por feiticeiros.
As produções pré- George A. Romero  e seu “  A Noite dos Mortos-Vivos ”, estavam totalmente voltadas para a mitologia do Haiti, com filmes de feiticeiros, poções mágicas, viagens ao Haiti e crenças vodu. Um exemplo dessas produções é o filme “ Zumbi Branco  ” de 1932, com Bela Lugosi  (o eterno Drácula).

(Capa do filme "
 Zumbi Branco " de 1932, com Bela Lugosi)
Finalmente, em 1968, temos George A. Romero mudando para sempre a concepção de Zumbi. Romero os colocaria como seres sem alma(pois já estavam mortos), mas que de alguma forma eram reanimados e começavam a perambular por aí sem qualquer capacidade de raciocínio, apenas com o instinto mais básico: o da alimentação. 

(O bom e velho Romero)

A Noite dos Mortos-Vivos  " é uma história de reanimação misteriosa de pessoas que foram recentemente mortas(em nenhum momento é dado uma explicação para o fenômeno, apenas é sugerido hipóteses através de boletins jornalísticos). O filme é focado na luta pela sobrevivência de um grupo de indivíduos, que conseguem refugio em uma casa enquanto uma infinidade de mortos-vivos vai se acumulando do lado de fora. Há uma crescente sensação de claustrofobia a medida que seus protagonistas se vêm em uma situação cada vez maior de desespero com o avanço dos mortos-vivos casa adentro. É um filme que mesmo feito com poucos recursos acaba agradando pois a gravação em preto e branco acaba por disfarçar as limitações técnicas(o filme usava carne crua com calda de chocolate para simular tripas).

(Cartaz de divulgação do primeiro filme de Romero)
Romero ainda faria 3 continuações para “A noite dos mortos vivos”:

-" Zombie - O Despertar dos Mortos (1978), que apesar de ter sido filmado 10 anos depois, acontece exatamente um dia depois do inicio da epidemia.
-"
 Dia dos Mortos "(1985), já se passa alguns anos depois, com o mundo completamente devastado e alguns grupos de sobreviventes espalhados pelo mundo.
-Em "
 Terra dos Mortos "(2005),  temos cidades-fortalezas construídas em meio as ruínas, totalmente cercadas em sua periferia para evitar a penetração de zumbis.

(Imagem da minha coleção pessoal dos filmes de Romero)
Todos esses filmes de Romero têm um elemento em comum: utilizam zumbis como metáfora para levantar críticas a elementos da vida em sociedade, como por exemplo,  a questão racial, feminista, militarista, o consumismo, as estratificações sociais e jogo de poder e por aí vai (Mas para tratar desses assuntos ficarei devendo uma postagem extra). 
Concluindo... 

Como você pode ver, o Zumbi contemporâneo está o tempo todo correndo por toda parte atrás de carne humana, mas o medo gerado pelo Zumbi do passado está relacionado ao “medo de se tornar um zumbi”(lendas locais) e não de ser “atacado por um Zumbi”, como é mostrado nas produções atuais.
Se hoje você se diverte adoidado assistindo a séries como  "The Walking Dead" ,ou passa horas jogando Left 4 Dead,  não se esqueça de agradecer ao velho Romero e sua trilogia de Zumbis (eu sei que são quatro filmes, mas quando o quarto filme saiu os Zumbis já tinham ganhado o mundo) , responsável praticamente por alavancar sozinho esse subgênero do terror durante três décadas. 

Por enquanto é isso. Futuramente devo fazer um texto especifico sobre a obra de Romero.

Até a próxima!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Feitiço do tempo com Bill Murray


Texto publicado originalmente na REDE SOCIAL PROPOST


Filme: Feitiço do Tempo (Groundhog Day) - 1993 
Diretor: Harold Ramis 
Roteiro:  Danny Rubin 
Elenco:  Bill MurrayAndie MacDowell , Chris Elliott 
Nota no IMDB: 8.1 (www.imdb.com)
obs: Vou tentar sempre colocar links nos meus textos para você ter acesso a informações extras. Ao clicar nesses links você será redirecionado ao site do IMDB).



Breve Sinopse(para quem não viu o filme. Se já viu, pule para o parágrafo seguinte)

Phil Connors ( Bill Murray ) é um meteorologista arrogante e egocêntrico que trabalha para um canal de TV fazendo previsões do tempo. Phil é enviado pela quarta vez seguida para Punxsutawney, uma pequena cidade do interior, para cobrir um evento cultural: “o dia da marmota”. Desta vez, além do câmera Larry(Chris Elliott)  que sempre o acompanha, também se junta a equipe Rita ( Andie MacDowell ), produtora, que tem a personalidade inversa a de Phil. Durante esse evento que ocorre anualmente, sempre dia 2 de fevereiro, a população se reúne em praça publica para ouvir as previsões do tempo de uma marmota (animal roedor). Phil está vivendo o pior dia da sua vida, pois para ele é uma humilhação profissional cobrir aquele evento e para piorar as coisas, fica preso na cidade devido a uma nevasca que impede a equipe de deixar a cidade. Inexplicavelmente após esses acontecimentos, Phil passa a acordar sempre no dia 2 de fevereiro, o dia da marmota, porém sempre podendo interferir nos acontecimentos. 



Análise pessoal 
Bill Murray está hilário neste filme, que apesar de ser do gênero comédia, há quem viaje em teorias absurdas para explicar a repetição do mesmo dia vivida por Phil. Há quem faça análises detalhadas dos fatos utilizando de teorias de psicanálise (há vários sites de psicologia que tratam dessas questões no filme), outros falam de budismo e teorias malucas de encarnações, outros discutem a obra de Nietzsche no filme. Enfim, não vou me prender a essas questões, pois algumas coisas podem até fazer sentido, outras duvido que tenham até passado pela cabeça do diretor e do roteirista. Vou falar aqui de questões mais óbvias, de uma mensagem que pode ser absorvida de forma fácil por qualquer um que assista ao filme. 
Durante o filme, o arrogante Phil, em meio a tal situação de repetição do tempo, passa por diversas etapas de evolução pessoal que vão moldar o seu caráter. Phil se utiliza do “Poder da imortalidade” com diversos objetivos distintos no andamento do filme, havendo também uma mudança na forma como o tempo é utilizado por ele. Considerarei então quatro estágios vividos pelo personagem Phil Connors: 

 1- O desespero 
 Phil Connors odeia a pequena cidade de Punxsutawney, odeia seu povo, a quem se refere algumas vezes como “caipiras”, trata com arrogância todas as pessoas com quem esbarra. Há uma cena, por exemplo, onde Phil passa por um velho mendigo e faz menção de que vai lhe dar esmola, mas passa direto sem concretizar a ação. Após a nevasca que impede que a equipe saia da cidade, Phil volta ao hotel para dormir. Ao acordar se dá conta que tudo está se repetindo. A partir daí inicia-se o desespero ao perceber que um estranho fenômeno está acontecendo: Phil está preso na cidade que mais odeia e no pior dia da sua vida.
 
 

2- O uso da "imortalidade" pra manipular as pessoas
 Phil se encontra em depressão bebendo e reclamando da vida para outros dois bêbados da cidade. Em meio a conversa Phil pergunta: -O que vocês fariam se não houvesse amanhã? Um dos bêbados instantaneamente responde: -Não haveria consequencias, não haveria ressaca. Faria o que desse na telha. A partir de então Phil se dá conta do poder que tem em mãos e começa a tirar proveito disso: desrespeita as leis, começa a fumar, planeja roubos, passa a ter uma alimentação desregrada e se dedica a conquistar todas as mulheres da cidade. Phil faz todas as merdas possíveis, pois sabe que no dia seguinte acordará sempre as 6:00 do dia 2 de fevereiro. Passa a manipular a todos os habitantes da cidade, pois utiliza de informações privilegiadas para chegar a seus objetivos ( ele sabe de tudo o que vai acontecer) . A única mulher que Phil não consegue conquistar é Rita, a quem tenta conquistar dia após dia sempre concertando um comportamento inadequado que teve no dia anterior, em vão. Temos nessa parte do filme, um Phil preocupado apenas com prazeres levianos e superficiais, que faz uso do seu poder para usar as pessoas de marionetes. 


(Phil acumulando informações sobre Rita pra tentar traça-la no "dia repetido seguinte")

 3- Depressão e suicido. 
 Após várias tentativas frustradas de ter um dia perfeito com Rita (por quem se apaixona), cansado de levar uma vida regrada a prazeres levianos, Phil cai em depressão. Phil se suicida de todas as formas possíveis: eletrocutado, pula de penhasco, pula do topo da igreja, é esfaqueado, enforcado, congelado, etc...porém continua acordando como se nada tivesse acontecido. 



 4 - A grande mudança 
 De repente Phil passa por mudanças e começa a usar seu tempo infinito para o aprendizado pessoal. Começa a ter aulas de piano, torna-se escultor, lê uma série de livros (inclusive de medicina). Além disso, passa a dedicar seu dia a ajudar todas as pessoas da cidade, desde trocar pneu de carro furado para umas velinhas simpáticas, até salvar algumas vidas. Phil nunca consegue salvar apenas uma pessoa: o velho mendigo do inicio do filme, que sempre enfarta de noite, independente do que seja feito por ele. Próximo do fim do filme, Phil faz a reportagem sobre o dia da marmota e emociona a todos com seu discurso, muito diferente do discurso irônico e arrogante do inicio do filme. Phil agora é um novo homem e não precisa fazer mais nada pra conquistar Rita, que acaba se interessando por ele naturalmente. 



 Resumindo... a mensagem aqui é a mudança de caráter do personagem arrogante, desonesto, egocêntrico, que se torna com o passar do tempo altruísta, simples e humilde. É um filme que eu gosto de assistir de ano em ano, quando já estou me tornando novamente um ser humano egocêntrico, frio, preconceituoso e odiável (hahaha). Assistir o "feitiço do tempo” de vez em quando me torna uma pessoa melhor. Recomendo a todos os maus elementos que querem ou tentam se tornar pessoas melhores.